Juventude Franciscana de Portugal visitou o concelho de Pinhel, numa jornada de fé, serviço e descoberta
O concelho de Pinhel foi o palco eleito para acolher a Atividade Nacional de Verão da Juventude Franciscana (JuFra), um encontro que procurou unir o convívio e o lazer ao serviço comunitário e à solidariedade. A iniciativa reuniu elementos oriundos de diversas zonas do litoral português: Barcelos, Barreiro e Varatojo.
A decisão de rumar a terras pinhelenses nasceu de um repto lançado pelo Frei Miguel Grilo, frade capuchinho com raízes na localidade de Prados, que desafiou o grupo a visitar uma zona onde, nas suas palavras, existiam várias povoações a carecer de visitas e de companhia. Segundo Liliana Fortuna, Presidente do Conselho Nacional da JuFra, esta atividade anual visa “descontrair, estarmos com os outros, fortalecer laços”, sendo simultaneamente uma oportunidade para os participantes conseguirem “sair um bocadinho da zona de conforto”.
O contraste com a realidade acelerada dos grandes centros urbanos não deixou os visitantes indiferentes. Andreia Silva, membro da Fraternidade de Barcelos, confessou a sua surpresa perante a tranquilidade do ritmo local: “Parece que nós vemos as pessoas na sua vida, mas têm tempo para conversar. E só essa experiência de modo de vida foi gratificante”. Miguel Silva, secretário da Fraternidade Local do Varatojo, corroborou desta visão e enalteceu a excelência dos serviços públicos e da manutenção do concelho, sublinhando com espanto que “não havia uma ponta de lixo” nas ruas ou nas estradas nacionais, algo invulgar face àquilo a que estão habituados.
Desde a sua chegada a terras da “Cidade Falcão”, a 30 de julho, os jovens colocaram mãos à obra numa série de atividades de proximidade. O roteiro incluiu, logo no primeiro dia, uma visita ao centro-dia de Alverca da Beira e um percurso pela localidade para interagir abertamente com os habitantes. No dia seguinte, marcaram presença no lar de Vila Franca das Naves, onde dinamizaram momentos de animação com os utentes. “Fizemos atividades de animação dos idosos, como dançar e cantar algumas músicas, fizemos alguns jogos para os entreter”, partilhou Liliana Fortuna, frisando a importância que o grupo deu à visita dos doentes mais acamados, de forma a garantir que ninguém ficava de fora. Participaram, ainda, em momentos dinâmicos de lazer, autoconhecimento e oração com o grupo Mensageiros da Esperança.
Tomás Pereira, de apenas 12 anos e o membro mais jovem a participar nesta atividade nacional, fez um balanço de grande aprendizagem. O jovem do Varatojo destacou que o que mais o marcou foi “ajudar as outras pessoas” e aproveitou a ocasião para, em conjunto com Miguel Silva e Andreia Silva, deixar uma sentida mensagem à comunidade e a uma “pessoa muito especial” que foi vizinha destes jovens durante a sua estadia: “Queremos dar um beijinho para si, Dona Deolinda”. Tomás expressou ainda gratidão pelo acolhimento em Prados, nomeadamente aos pais do Frei Miguel, Sr. Manuel e Dona Fernanda.
Para além da forte componente solidária, a JuFra aventurou-se à descoberta das riquezas naturais e paisagísticas de Pinhel. De entre os vários lugares visitados, o grupo destacou o Miradouro da Faia e a zona histórica de Pinhel. Também as encostas dos Passadiços do Côa mereceram a sua admiração, culminando com um piquenique junto ao rio. A paisagem pinhelense revelou-se impactante: Andreia Silva mostrou-se encantada com as planícies e as vinhas que transmitem “leveza [e] calma”, enquanto Miguel Silva elegeu o Miradouro da Faia como a sua paragem de eleição, tecendo elogios à estrutura e à profundidade esmagadora da paisagem.
A forte ligação aos movimentos locais revelou-se outro pilar estrutural do sucesso deste encontro. Os jovens revelaram ter sido carinhosamente acolhidos pelo grupo de jovens local, os Mensageiros da Esperança, e pela Ordem Franciscana Secular (OFS) de Pinhel. Sofia, Vice-Presidente do Conselho Nacional da JuFra, enalteceu a oportunidade de conseguirem “beber um bocadinho da experiência” do grupo de Pinhel, de forma a crescerem mutuamente.
O culminar desta comunhão deu-se no domingo, através de uma peregrinação conjunta a celebrar o Jubileu Franciscano e o Perdão de Assis, num trajeto que ligou a Igreja de Santo António à Igreja de São Luís.
Esta imersão no interior despertou ainda a grande admiração da JuFra pelo trabalho desenvolvido pelos Mensageiros da Esperança. O grupo de Pinhel foi elogiado por iniciativas como a “Tour dos Abraços”, onde animam eucaristias e levam alegria e abraços a aldeias que são caraterizadas como desertificadas e com poucos jovens. “É mesmo chocante ver, passar por aldeias e ver aldeias vazias”, lamentou Andreia Silva, aplaudindo o esforço destes jovens pinhelenses na quebra do isolamento.
Com a bagagem repleta de calor humano, o grupo despediu-se do concelho com a esperança de regressar um dia. Em jeito de conclusão, Liliana Fortuna apelou a que toda a juventude se mobilize para construir “uma igreja em saída, como o Papa Francisco tanto nos incentivou”, urgindo a desconstrução do velho estigma de que a religião é algo reservado ao passado ou aos mais velhos.
Num tom mais descontraído, Miguel Silva, que inicialmente se juntou à JuFra “por causa de um bolo”, rematou com um apelo direto a todos os jovens que sentem receio em dar o primeiro passo: “O receio é normal. […] O meu convite é venham, experimentem e depois tirem as vossas conclusões”.

Eduardo Silva




















