Eclipse solar transforma os céus de Pinhel ao final da tarde de hoje com ocultação de quase 99%
É já esta tarde, dia 12 de agosto, que os céus vão escurecer de forma surpreendente, oferecendo um espetáculo astronómico histórico.
Segundo o mapa interativo do Observador, o concelho de Pinhel vai registar uma taxa de ocultação solar que atingirá os 98,7%. O fenómeno nos céus da “Cidade Falcão” tem início marcado para as 18h35, alcançando o seu ponto máximo às 19h32. Será nessa altura de maior escuridão que se fará sentir uma quebra na temperatura, a diminuição nítida do ruído ambiente e o silenciar dos pássaros, estando o fim deste eclipse previsto para as 20h25.
A nível do distrito da Guarda, os valores de ocultação andarão de forma geral entre os 97 e os 98%.
Para encontrar um cenário de escuridão total de 100%, em que o dia se transformará em noite, será necessário viajar até ao Parque Natural de Montesinho, no distrito de Bragança. Essa será a única região do país com um eclipse total, com a duração de 26 segundos, um evento raro que não acontecia no nosso país desde o ano de 1912 e que só voltará a repetir-se em 2144.
No restante território continental, o obscurecimento irá variar entre os 92 e os 99%.
A magia deste acontecimento deve-se a um alinhamento perfeito entre o Sol, a Lua e a Terra. António Costa, investigador de Química da Universidade Politécnica da Guarda, explica a O INTERIOR que, embora a fase de lua nova ocorra todos os meses, este alinhamento exato é raro. Sendo o Sol 400 vezes maior do que a Lua, mas estando 400 vezes mais distante da Terra, ambos aparentam ter o mesmo tamanho no nosso céu, permitindo que a Lua cubra totalmente o disco solar. A longo prazo, os eclipses totais deixarão de ser possíveis. A Lua afasta-se da Terra cerca de 4 centímetros por ano, pelo que daqui a 600 milhões de anos a distância impedirá a ocorrência deste tipo de fenómeno no nosso planeta.
Apesar da imensa curiosidade que o fenómeno desperta em toda a comunidade, as autoridades de saúde alertam para a necessidade de extrema precaução, uma vez que a observação direta pode causar danos graves e irreversíveis na retina. É estritamente obrigatório utilizar apenas óculos devidamente certificados para o efeito. As invenções caseiras estão totalmente proibidas, pelo que não se pode recorrer a óculos escuros normais, radiografias, vidros fumados, CD’s ou películas. Os especialistas avisam ainda que as lesões causadas pela observação desprotegida não causam dor ou desconforto imediato, manifestando-se apenas horas depois, sendo por isso crucial colocar os óculos de proteção antes de olhar para o sol e só os retirar depois de desviar totalmente o olhar.
Para garantir a observação em segurança, existem várias sessões programadas com telescópios equipados com filtros solares e óculos protetores certificados um pouco por todo o país, promovidas por observatórios, autarquias e centros Ciência Viva, em locais como o Observatório Astronómico de Travancinha, em Seia.
Eduardo Silva





















