O número de vítimas mortais nas estradas portuguesas registou um aumento significativo na primeira metade deste ano. Os dados provisórios foram revelados após uma reunião que juntou o Ministro da Administração Interna, Luís Neves, o Secretário de Estado da Proteção Civil e os mais altos responsáveis da GNR, PSP e Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).
Segundo a informação enviada à redação, o Governo e as forças de segurança preparam-se agora para implementar um conjunto de medidas de fiscalização e prevenção para travar esta tendência de agravamento.
Avaliando o período compreendido entre janeiro e junho de 2026, o Ministério da Administração Interna avançou que se registaram 17.941 acidentes com vítimas. Deste volume de sinistros resultaram 225 vítimas mortais (mais 23 óbitos face ao período homólogo de 2025, o que representa uma subida de 11,4%) e 1.371 feridos graves (um aumento de 6,9%).
Por outro lado, a frequência geral de acidentes com vítimas e de feridos leves sofreu uma ligeira redução (de 0,7% e 2,1%, respetivamente), o que indica que, embora haja marginalmente menos acidentes, estes estão a ser mais graves e fatais.
A nota de imprensa enviada à redação destaca um dado particularmente alarmante no que toca aos atropelamentos. Apesar de o número de acidentes deste tipo ter diminuído 3%, a mortalidade disparou de forma acentuada, “com um aumento de 121,4% nas vítimas mortais (passando de 14 para 31)”.
No que diz respeito aos locais de maior sinistralidade, as zonas urbanas continuam a ser o principal palco, concentrando 63,9% dos acidentes. Por outro lado, as estradas nacionais concentram 18,4% dos desastres, mas representam 28% das mortes, enquanto as autoestradas registam 6,3% dos acidentes e 11,1% das vítimas mortais.
Face a este cenário, o executivo e as autoridades preparam uma resposta dura no terreno. Na nota enviada à redação é referido que, “para inverter a subida da mortalidade e do número de feridos graves nas estradas portuguesas, o Ministério da Administração Interna, em conjunto com a GNR, a PSP e a ANSR, está e vai continuar a implementar de um conjunto de medidas com objetivos quantificados e cujos resultados serão acompanhados em permanência”.
Entre as principais ações anunciadas está a intensificação da fiscalização em locais e horários críticos, com “um maior controlo de infrações críticas — como o excesso de velocidade, o consumo de álcool e o uso do telemóvel ao volante”. Estão também previstas intervenções diretas nos chamados “pontos negros” rodoviários.
Para dar resposta ao aumento da mortalidade nos atropelamentos, será colocado em marcha um plano extraordinário nas zonas urbanas. Esta ação prevê a identificação de locais de risco, o reforço da iluminação e visibilidade nas passadeiras e novas campanhas de consciencialização, contando com um papel fundamental das autarquias locais.
A nota de imprensa conclui com um forte apelo à sociedade civil: “A segurança rodoviária não é uma responsabilidade isolada, exige um esforço e um compromisso de todos. Do Estado, das autarquias, das entidades públicas e privadas e de cada cidadão. A resposta a este flagelo tem de ser conjunta”.