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Câmara de Mêda pondera encher reservatórios de água com recurso a autotanques

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Mais de 90% do território estava a 15 de fevereiro em seca severa ou extrema, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que indica um novo agravamento da situação de seca meteorológica no país.

O último boletim de seca, hoje divulgado e que reporta a 15 de fevereiro, indica valores de percentagem de água no solo inferiores ao normal em todo o território, com as regiões Nordeste e Sul a atingirem valores inferiores a 20%, com “muitos locais a atingirem o ponto de emurchecimento permanente”.

O documento, que destaca a região Sul e alguns locais dos distritos de Bragança e Castelo Branco, aponta para 38,6% do território em seca extrema (11,5% no final de janeiro), 52,2% em seca severa (34,2% no final de janeiro) e 9,2% em seca moderada.

“O grau de severidade da seca meteorológica a 15 de fevereiro de 2022 é superior ao que se verificava em 2018 e em 2005, com uma percentagem superior nas classes de seca severa e extrema e que corresponde a cerca de 91 % do território”, refere o IPMA.

O instituto diz ainda que até ao final de fevereiro não se prevê a ocorrência de precipitação significativa em todo o território e que, em relação à temperatura do ar, a tendência será “para valores superiores ao normal para todo o território, em especial para a região interior Centro e Sul”.

Perante este cenário, e por causa das dificuldades já sentidas, a Câmara de Mêda, juntamente com as autarquias vizinhas, de São João da Pesqueira, Vila Nova de Foz Côa e Tabuaço definiram um Plano de Ação para Gestão Eficiente do Abastecimento de Água a partir do Subsistema de Ranhados, para “dar resposta urgente à situação de seca que se vive nos quatro municípios, servidos pela albufeira de Ranhados e que, neste momento, apresenta volumes abaixo da média para esta altura do ano”.

Segundo o autarca “a situação é grave” e realça que “é preciso que as pessoas tenham consciência” disso. Em cima da mesa está a possibilidade de os reservatórios do concelho poderem vir a ser abastecidos por autotanques. “Poderemos ter que vir a encher os nossos reservatórios com recurso a autotanques, para mitigar esta situação”, disse João Mourato.

O edil revelou que os níveis de água da Barragem de Ranhados estão muito baixos e que o abastecimento público pode estar em causa. “A nossa albufeira de Ranhados está quase no fundo, é preciso as pessoas terem noção disso”.

“Desta reunião saiu a decisão conjunta de se avançar com várias medidas de mitigação, sendo a primeira uma campanha de sensibilização para a poupança e uso eficiente da água, nos quatro municípios em simultâneo”, refere o comunicado enviado à Rádio.

No mesmo comunicado lê-se que os quatro municípios tomaram, em conjunto, as decisões de “interromper, no imediato”, as regas de jardins públicos com água potável (substituindo sempre que possível com água reciclada ou outras alternativas), a disponibilização de água nos chafarizes públicos e os consumos de água associados a fontes e fontanários públicos.

Decidiram, ainda, promover ações de sensibilização ambiental de técnicos e da comunidade escolar.