No próximo dia 15 de agosto, Figueira de Castelo Rodrigo volta a cumprir uma das suas tradições mais singulares: o “Dia dos Idades”. Num evento considerado inédito a nível nacional, a vila transforma-se no ponto de encontro para dezenas de grupos de pessoas, organizados exclusivamente pelo seu ano de nascimento.
Para compreender a essência do “Dia dos Idades”, é preciso recuar no tempo. A génese desta celebração encontra-se na camaradagem entre os jovens do concelho que se preparavam para a inspeção militar, os popularmente conhecidos como “mancebos”.
Naquela época, estes rapazes uniam-se para celebrar o dia de “tirar a sorte”, uma expressão que designava a rigorosa avaliação que determinava a aptidão, ou inaptidão, para o cumprimento do serviço militar obrigatório. Após essa etapa marcante, os mancebos percorriam as ruas da vila e das aldeias do concelho numa ronda de confraternização. De porta em porta, com passagens obrigatórias por tabernas e cafés, o convívio fazia-se ao som das concertinas, dos ferrinhos e das músicas tradicionais, cimentando laços de fraternidade que perdurariam para o resto da vida.
Hoje, o principal propósito deste dia evoluiu para um abraço comunitário que acolhe não só os residentes locais, mas também os muitos figueirenses que, emigrados ou a residir noutras zonas do país, regressam à sua terra natal para as merecidas férias de verão. O objetivo central é claro: promover o reencontro.
Consiste numa jornada dedicada à valorização das raízes, onde o simples facto de se ter nascido no mesmo ano serve de mote para juntar pessoas com percursos de vida distintos. Segundo Carlos Condesso, Presidente da Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo, esta é “uma tradição que consegue reunir, numa iniciativa inédita, várias gerações de filhos da terra num só dia, reforçando a amizade entre os Figueirenses”.
O autarca sublinha ainda que este encontro geracional é o verdadeiro coração da comunidade e “um motivo de orgulho para todos que revivem esta tradição e voltam anualmente”. O “Dia dos Idades” é a prova viva de que a identidade e a coesão de um povo se constroem através da partilha, perpetuando uma memória coletiva valiosa de geração em geração.
Eduardo Silva














