Em Pinhel, o grupo de jovens “Mensageiros da Esperança” está a promover uma iniciativa de voluntariado que já levou juventude, música e conforto aos utentes de vários lares do concelho de Pinhel. Na passada terça-feira, dia 14 de julho, chegou a vez da Unidade de Cuidados Continuados de Pinhel acolher esta ação de voluntariado.
A intervenção comunitária tem sido um dos pilares deste grupo, que tem ganho dinamismo no concelho de Pinhel e que até viralizou no TikTok com um registo fotográfico de uma das atividades realizadas numa ação de voluntariado no lar do Centro de Apoio Social de Pala, alcançando mais de 7 milhões de visualizações. A semente deste projeto, que tem como uma das suas principais vertentes a solidariedade, começou a germinar no final de um ciclo de catequese. “Os miúdos terminaram a catequese, fizeram o crisma e depois quiseram continuar. E foi daí que veio a ideia”, explica Armanda Vicente, um dos elementos do grupo, acrescentando que “uma das grandes motivações foi também os convívios fraternos”.
Depois da experiência em vários lares de idosos tradicionais, os Mensageiros da Esperança decidiram dar um passo em frente e enfrentar uma realidade clínica mais complexa. Beatriz Cardoso, também membro do grupo, esclarece que a intenção passou por sair da zona de conforto. “A unidade de continuados (…) traz um peso sempre diferente. Então também queríamos acabar por nos desafiar a vermos este tipo de realidade”, nota a jovem.
Numa unidade onde os utentes se encontram num estado de maior dependência, o trabalho de preparação prévio é fundamental. Armanda Vicente detalha que o grupo procura reunir-se para organizar as dinâmicas adequadas. “Quando chegamos, normalmente o que mais facilita o contacto é mesmo a música, então a ideia é sempre cantar, cantamos e dançamos com eles e depois fazemos algumas atividades de motricidade fina, de algum raciocínio lógico [e] rezamos o terço”, descreve.
Ainda assim, o choque de realidades é inevitável e traz consigo algumas lições. A voluntária confessa que uma das coisas que mais impactou o grupo foi perceber que a dependência não escolhe idades. “Aqui numa unidade de cuidados continuados não há só pessoas com muita idade, também há pessoas bem mais novas (…) com bastantes limitações bem acentuadas. E estar perto de pessoas, assim, bem mais novas também nos faz pensar e também levamos isso para casa”, sublinha Armanda Vicente.
Do lado de quem recebe, o impacto desta partilha é inegável. Carla Inácio, animadora sociocultural da instituição, garante que os voluntários foram recebidos com muita alegria e descreve a visita como “uma lufada de ar fresco” para quebrar as rotinas da unidade. “Todas as iniciativas são importantes, mas esta em particular, como o nome indica, é uma mensagem de esperança. E quando essa mensagem é trazida por jovens, ainda é muito mais importante”, afirma a profissional, destacando que “o conforto e a partilha de saberes é muito benéfico para ambos”.
O primeiro contacto costuma ser, no entanto, de alguma apreensão. Beatriz Cardoso nota que, no início, os utentes ficam surpreendidos e “de pé atrás”, não dando logo total confiança. Contudo, os resultados práticos da visita superam rapidamente qualquer barreira inicial, chegando mesmo a surpreender os próprios profissionais de saúde. Armanda Vicente partilha um episódio marcante protagonizado por uma fisioterapeuta da unidade, que notou a diferença num utente: “Amanhã vou pôr estas músicas porque comigo não consegue levantar os braços e aqui com estas músicas esteve aqui sempre de braço levantado”. A integrante do grupo confessa que conseguir este retorno “enche um bocadinho o ego, que é um ego saudável”.
Questionada sobre se a experiência é para repetir na instituição, Carla Inácio não hesita e aconselha “vivamente a todos aqueles que tiverem no seu íntimo essa intenção que o façam, porque ver o brilho nos olhos de um utente, fazer a diferença na vida de alguém é muito gratificante”.
Gratidão é também a palavra de ordem entre os jovens voluntários. Ver a apatia dar lugar à alegria e à reciprocidade é considerado o “combustível certo para o coração” e a prova viva de que recebem sempre muito mais do que aquilo que dão. O projeto vai continuar na estrada e a próxima paragem, adianta Beatriz Cardoso, será no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Pinhel. Para os jovens do concelho que se queiram juntar a esta missão, o processo é simples: basta contactar o grupo através das redes sociais, como o Instagram ou o Facebook, dirigir-se a um dos membros ou falar diretamente com o Padre Jorge Castela.



Eduardo Silva














