Com a aproximação do período de férias prolongadas e do Dia Internacional do Animal Abandonado, que se assinala a 15 de agosto, a Guarda Nacional Republicana (GNR), reforça o alerta para a importância da adoção responsável, lembrando as consequências criminais do abandono e dos maus-tratos a animais de companhia. Os dados recolhidos pelas autoridades revelam que os meses de julho e agosto concentram o maior número de ocorrências, com 142 casos registados, o que representa 38,1% do total anual. Esta realidade está frequentemente associada às deslocações e ausências típicas da época estival, afetando de forma mais expressiva os canídeos e felídeos. A força de segurança sublinha que a adoção constitui um compromisso permanente e que, perante a impossibilidade temporária de manter o animal durante as férias, o abandono nunca é uma opção aceitável, existindo hoje diversas alternativas seguras, como alojamentos próprios ou o apoio familiar.
No que diz respeito à atividade de fiscalização e investigação na área de jurisdição da Guarda, os números entre 2024 e o primeiro semestre de 2026 evidenciam o registo de mais de 2.400 crimes. Em detalhe, no ano de 2024 foram contabilizados 591 casos de maus-tratos e 389 de abandono, valores que em 2025 se situaram nos 633 e 373, respetivamente. Já nos primeiros seis meses do presente ano de 2026, os dados provisórios apontam para 312 crimes de maus-tratos e 159 de abandono. Embora a análise estatística demonstre uma ligeira tendência de decréscimo nos registos de abandono, mantêm-se padrões temporais preocupantes, destacando-se, além do pico estival, um aumento em menor escala no período pós-natal. Geograficamente, os distritos de Braga, Setúbal, Porto e Lisboa, impulsionados pela sua maior densidade demográfica, apresentam a maior incidência destes ilícitos. O esforço investigatório da GNR neste período de dois anos e meio resultou na detenção de 28 pessoas em todo o território nacional, na identificação de 1.449 suspeitos e na constituição de 432 arguidos.
A GNR reitera que, através do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA), se mantém “profundamente empenhada na defesa dos valores naturais, ambientais e do bem-estar animal”, recordando a toda a população que estes atos são puníveis por lei e que a decisão de acolher um animal exige responsabilidade e cuidados contínuos. A colaboração da comunidade é considerada fundamental para travar este flagelo, apelando as autoridades a que qualquer suspeita ou denúncia seja comunicada de imediato. Para o efeito, os cidadãos têm ao seu dispor a Linha SOS Ambiente e Território, através do número gratuito 808 200 520, com atendimento permanente, podendo ainda recorrer à denúncia online no portal institucional em www.gnr.pt ou através do correio eletrónico sepna@gnr.pt.
Eduardo Silva














