O incêndio de grandes proporções que deflagrou ao início da tarde de segunda-feira na localidade de Rochoso, no concelho da Guarda, e que se estendeu aos municípios vizinhos de Almeida, Pinhel e Sabugal, encontra-se em fase de conclusão. O alerta foi dado pelas 13h51 e, após um intenso combate, o fogo entrou em resolução à 1h05 do dia de hoje, passando à fase de conclusão pelas 7h05, de acordo com os dados da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil. No terreno, pelas 10h00 de hoje, mantinham-se quase 500 operacionais, apoiados por cerca de 150 viaturas e três meios aéreos, focados agora num trabalho minucioso de rescaldo e na consolidação de todo o perímetro afetado para evitar possíveis reativações.
A dimensão e agressividade desta ocorrência exigiram a mobilização de um forte dispositivo de combate, que, no seu pico máximo, chegou a colocar no terreno mais de 700 operacionais, mais de 200 viaturas e mais de uma dezena de meios aéreos. O esforço das corporações foi dificultado pelas condições meteorológicas severas, caracterizadas por baixos níveis de humidade e ventos inconstantes, aliadas à orografia de um território íngreme e de difíceis acessos. Durante as operações de combate de segunda-feira, cinco elementos da Proteção Civil sofreram ferimentos ligeiros. Numa avaliação preliminar efetuada no posto de comando, João Rodrigues, comandante sub-regional das Beiras e Serra da Estrela, indicou que as chamas consumiram uma área de cerca de 4.000 hectares, ao longo de um extenso perímetro que atingiu os 40 quilómetros.
O avanço rápido das diferentes frentes de fogo provocou perturbações na mobilidade da região, obrigando as autoridades a cortar a autoestrada A25 e a Estrada Nacional 16 ao início da tarde de terça-feira. A circulação nestes eixos viários, cruciais para a ligação transfronteiriça, só viria a ser reposta em segurança já na madrugada desta quarta-feira, pelas 0h10. Ao nível das populações, o cenário motivou uma forte apreensão por parte dos autarcas locais. Sérgio Costa, presidente da Câmara Municipal da Guarda, chegou a expressar em declarações à Lusa a sua preocupação com a dificuldade em travar o incêndio, lamentando o tempo decorrido apesar do grande volume de meios mobilizados no terreno.
Apesar da magnitude do perímetro ardido, a articulação das forças de socorro com o apoio dos populares e agentes da Guarda Nacional Republicana permitiu salvaguardar o bem-estar das populações e respetivas habitações. No concelho de Pinhel, onde as chamas ameaçaram zonas como Pínzio e Safurdão, a autarca Daniela Capelo confirmou à Lusa que a situação se manteve sempre sob vigilância sem necessidade de retirar habitantes. No concelho de Almeida, por precaução, procedeu-se à evacuação dos utentes da Associação Sócio Terapêutica de Almeida (ASTA), sediada na Cabreira. Com a situação extinta e o perigo imediato afastado, as populações e as forças de segurança respiram agora de alívio, mantendo-se ativas as operações de vigilância no rescaldo de mais um embate com os fogos florestais na região.
Eduardo Silva














