António Marques, eleito para a direção do Agrupamento de Escolas de Pinhel no passado dia 22 de junho, tomou posse na tarde de ontem, 20 de julho. O novo diretor encara o cargo como uma missão cívica e assume que tem pela frente tempos exigentes, marcados por transformações no sistema educativo.
“Assumir a liderança desta instituição não é um mero ato administrativo. É, acima de tudo, aceitar uma missão cívica de guiar, proteger, potenciar o futuro das crianças e jovens desta região”, afirma o novo responsável. Assumindo-se como conhecedor do território e das suas gentes, António Marques alerta para a complexidade atual da escola pública. Entre os diversos desafios que se avizinham nos próximos anos, destaca a “reforma profunda do sistema educativo”, com a transição digital dos exames nacionais, a criação do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação – EduQA (que vai agregar o JNE, IAVE, DGE, ANQEP, entre ouras entidades), a prevista fusão do 1º e 2º ciclos a partir de 2027-2028 e o processo de migração dos serviços educativos para a cloud e gestão centralizada de dados escolares até janeiro de 2027. “Tudo isto vai requerer mudanças, ajustes e, sobretudo, a dedicação de todos. Mas é precisamente perante estes desafios que a nossa determinação tem de ser maior”, sublinha.
Liderar um agrupamento no interior do país obriga, segundo o próprio, “a uma resiliência acrescida, (…) [para] combater a falta de alunos (…) e a trabalhar diariamente para garantir a fixação de talentos, a inclusão real e a igualdade de oportunidades”. Para dar resposta a estas exigências, o mandato de António Marques assenta em quatro pilares fundamentais. O primeiro, e considerado o mais importante pelo diretor, é a criação de uma “escola feliz”. “Ninguém aprende verdadeiramente, ninguém ensina com paixão, ninguém trabalha com dedicação num lugar onde não se sinta bem. (…) A saúde mental, a empatia e o respeito não são secundários, têm que ser a base”, defende.
O segundo pilar baseia-se na centralidade no aluno. Recusando uma visão de ensino estritamente focada em notas e exames, a prioridade passa por formar “cidadãos inteiros, que sejam críticos, autónomos, solidários e que estejam preparados para um mundo em constante mudança”, equilibrando a procura do conhecimento com a vertente do “saber-estar” e “saber-ser”.
A valorização das equipas e o reforço do trabalho em rede constituem o terceiro pilar de atuação. Consciente da escassez estrutural e do envelhecimento dos recursos humanos no setor, António Marques promete uma “liderança de proximidade, de porta aberta, que escuta, que apoia e que valoriza quem está no terreno”, enaltecendo quer os professores e educadores, quer o papel vital do pessoal não docente e técnico. Para superar os desafios associados à falta de atratividade da carreira, o diretor conta com o apoio estratégico do município de Pinhel.
O quarto e último pilar prende-se com a abertura à comunidade. “O Agrupamento de Escolas de Pinhel não pode ser uma ilha fechada sobre si mesma”, frisa o diretor, apelando a uma educação participativa onde autarquia, tecido empresarial, instituições locais e encarregados de educação façam parte ativa do quotidiano escolar e das decisões que impactam a vida dos jovens.
Não querendo apagar o trabalho desenvolvido até à data, o novo líder deixou um agradecimento público ao seu antecessor, o professor José Vaz, pela obra feita e pela partilha pessoal e profissional. Contudo, António Marques vinca que o novo ciclo exige “olhar em frente com ambição, exigência e inovação e continuar a levar o agrupamento à excelência”, garantindo “rigor e transparência” na defesa da escola pública.
Do lado da autarquia, Daniela Capelo, presidente da Câmara Municipal de Pinhel, assegura a continuidade do trabalho conjunto entre o município e a instituição de ensino. “A diminuição da população, o envelhecimento e a necessidade de criar oportunidades para fixar os nossos jovens são realidades que conhecemos muito bem. Mas também sabemos que nenhuma estratégia de desenvolvimento terá sucesso se não colocar a educação no centro das suas prioridades”, referiu a autarca, reiterando o investimento municipal em infraestruturas, transportes, ação social e atividades de enriquecimento.
Dirigindo-se ao recém-empossado diretor, Daniela Capelo deixou votos de sucesso, coragem e serenidade para esta missão de grande responsabilidade. “Desejo-lhe coragem para decidir, serenidade para enfrentar os momentos difíceis e sensibilidade para nunca perder de vista aquilo que verdadeiramente importa, as pessoas”, concluiu a edil, lembrando que “investir na educação é investir na maior riqueza que um concelho pode ter, as suas pessoas”.
Refira-se que a composição da restante equipa diretiva do Agrupamento de Escolas de Pinhel ainda não é conhecida. António Marques foi eleito no passado dia 22 de junho pelo Conselho Geral da instituição, num escrutínio que contou também com a candidatura de Carla Santos.




Eduardo Silva














